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Massa 7 dias por semana

Um blog sobre as peripécias de uma rapariguita que foi viver sozinha

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Um blog sobre as peripécias de uma rapariguita que foi viver sozinha

20.06.20

Dependência Amorosa - Parte II

Valerie

Não ia ao café sozinha, só ia se ele fosse comigo. Tinha vergonha de entrar em sítios com muita gente se ele não estivesse comigo. Não levava o carro à inspeção porque não me sabia desenrascar sem ele. Não ia ao centro comercial sem ele porque me sentia sozinha. Enfim, vocês já perceberam.

Mas isto para além de ser mesmo verdade, é triste a dar com um pau.

E estas merdas a longo prazo têm consequências... Aquela relação transformou-se num sufoco, numa cruz que eu carregava aos ombros e que não conseguia abandonar. E como é óbvio, eu pensava sempre para mim mesma que não conseguia voltar a viver sozinha, que não me iria desenmerdar, que não tinha como funcionar sem aquela pessoa...

E foi quando comecei a invejar, secretamente, a vida da malta que estava solteira (leia-se, sem namorados, ou seja, prisões). 

Eu também sei que há relações que são espetaculares, que a malta tem liberdade e é muito feliz, mas atentem no seguinte: eu não sei o que é isso, portanto, como sempre, abordo a minha opinião baseada em factos por mim vividos - isto só para não me encherem a caixa de comentários com criticas e ai não digas isso, namorar é tão bom, bla bla bla.

Eu sei que para muita gente namorar é bom. Mas não me interessa, porque o ponto não é esse.

Voltando ao lugar. Comecei a ter pena de não poder ser livre também. De não poder ir onde queria e com quem queria (se bem, que nessa altura já não tinha muita gente com quem ir, porque fui esperta ao ponto de me afastar de praticamente todos os meus amigos).

E pensava para mim mesma que gostava de ser assim, livre, independente, com coragem para ir almoçar e jantar sozinha, beber um café sozinha, e cuidar da minha vida SOZINHA.

Só que a solidão é terrível, e mete um medo desgraçado a quem não tem os tomates no sítio. Que era o meu caso na altura.

Entretanto, quase 6 anos após o inicio desta merda, sou obrigada a vir para Lisboa e as coisas começam a ficar complicadas.

De repente estava mesmo sozinha. Ele não quis vir porque estudava lá. E eu estava qual cão abandonado debaixo da ponte.

E num piscar de olhos fui obrigada a desenmerdar-me sozinha. E posso garantir-vos que foi uma das melhores coisas que me aconteceram na vida.

Passei a tomar café sozinha, a pegar no carro de manhã e sair sem destino - sozinha, a almoçar e a jantar sozinha, a fazer tudo sozinha.

De um momento para o outro encontrei amigos, comecei a ter vida social e cada vez que ia ao Algarve tinha a certeza de que não queria mais aquela pessoa para mim. Mas, ainda assim, havia qualquer porra que nos agarrava um ao outro e fui aguentando.

Cada vez que lá ia, apenas aos fins-de-semana, claro, era uma guerra. Eu queria estar em família, e ele queria que eu estivesse com ele.

E eu comecei a ficar saturada, saturada, saturada... até que um dos fins-de-semana que lá fui nem lhe disse que tinha ido. 

Reparem, a pessoa está longe de casa pela primeira vez, está numa relação tóxica da qual se quer ver livre mas não consegue, e é natural que queira estar junto da família. Mas ele não entendia isso, embora já tivesse idade para entender. E era discussão atrás de discussão.

Depois, os meus novos amigos, na sua maioria rapazes, começaram a ser também um problema. Porque saíamos, porque jantávamos em grupo, porque ficávamos a falar porque éramos vizinhos... Porque tudo e mais alguma coisa.

Até que um belo dia, 6 meses depois de eu cá estar, fizemos um jantar com umas 40 pessoas. A malta esticou-se, bebeu uns canecos, divertiu-se para cacete, e foi para casa já de manhã. Ora, tá claro que naquela noite não houve o típico telefonema da praxe.

Meus amigos, vocês conseguem imaginar o que me esperou no dia seguinte quando eu acordei, ainda por cima de ressaca?

 

Continua amanhã....

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